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Em quase uma década de existência, Papo de Responsa alcança 487 mil jovens no Rio Grande do Sul

Neste programa de educação não formal promovido pela PC, são discutidos diversos temas, aproximando os policiais da comunidade

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Projeto de prevenção da Polícia Civil gaúcha desenvolvido desde 2016 que tem como principal público alvo os jovens em idade escolar, o programa Papo de Responsa já alcançou 487 mil pessoas no Rio Grande do Sul e totaliza 268 multiplicadores. Nos últimos quatro anos, 1350 instituições foram atendidas, e hoje 43% do território total do Estado já recebeu o Programa. Apesar disso, há uma fila de espera de 3620 entidades.

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Diretora do Gabinete de Relações Institucionais e Comunicação Social (Grics) Eliana Lopes

Trata-se de uma proposta de educação não formal que por meio da palavra e de atividades lúdicas discute temas diversos como prevenção ao uso de drogas e a crimes na internet, bullying, direitos humanos, cultura da paz e segurança pública, aproximando os policiais da comunidade e, principalmente, dos adolescentes. O trabalho da equipe inicia com a solicitação da escola/entidade por meio do preenchimento de um formulário, sendo posteriormente agendada uma data para realização da atividade, um diálogo descontraído sobre prevenção à violência e o papel do policial na sociedade.

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Para a Diretora do Gabinete de Relações Institucionais e Comunicação Social (Grics) Eliana Lopes, e que responde também pela Divisão de Prevenção, Mediação, Justiça Restaurativa e Direitos Humanos (DPMJRDH), o Papo de Responsa prima por uma conversa horizontal entre o policial e os estudantes na qual são propiciadas algumas informações e princípios para que eles tenham argumentos para tomar melhores decisões, tornando-se protagonistas de suas próprias vidas. “Buscamos fazer uma aproximação de modo que os jovens mudem seu posicionamento, passando a ter no policial um referencial de vida”.

Um dos coordenadores do Papo no Rio Grande do Sul, o escrivão Rodrigo Cachoeira Rangel, relata que sua identificação com o Programa se deu quando em um mesmo dia, às seis da manhã, entrava no local de um crime em uma favela em Novo Hamburgo que resultou em dois irmãos adolescentes mortos, e à tarde conversava com jovens que um dia poderiam vir a ser esses meninos. “Percebi que aquele era um remédio para mim: usar o trabalho nas ruas como combustível para ir em mais escolas e dizer ‘o caminho não é esse, siga outras pegadas’. Isso foi me fazendo cada vez melhor”.

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Escrivão Rodrigo Cachoeira Rangel, um dos coordenadores do Papo no Rio Grande do Sul

De acordo com Cachoeira, hoje o Papo de Responsa gaúcho serve de modelo para o resto do País. “O que a gente faz, ninguém faz no Brasil. Utilizamos redes sociais, conteúdo em vídeo, em texto, tudo que for necessário para alcançar a juventude. Aprendemos a falar a linguagem deles”.

Origem do Papo
O criador do Papo de Responsa, Beto Chaves, policial e professor da Academia de Polícia Civil do Rio de Janeiro, conta que a ideia do programa surgiu há 20 anos como um projeto até tornar-se uma política pública voltada à prevenção. Em sua segunda operação como policial, três jovens de 16, 17 e 18 anos morreram. “Eles atiraram e nós revidamos, quando a operação terminou eram três corpos no chão ao lado dos fuzis. Você até agradece que não foi você, tem algo primitivo ali: você saiu vivo e quer voltar para casa, você desumaniza a situação. Vi o orgulho no rosto dos policiais, de missão cumprida. Isso me fez refletir sobre o que poderia ser feito antes de chegar com essas crianças no chão”.

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Beto Chaves, criador do Papo de Responsa

A partir dessa indagação, Beto começou a pensar em saídas diferentes, em ir até as escolas e conversar com os jovens antes de eles acharem que pegar em uma arma seria uma possibilidade. “Ao final do dia, o que a gente disputa é a palavra. Quem disputa a palavra e as narrativas, disputa as ideias. Quem disputa as ideias, disputa o futuro. Quem disputa o futuro, disputa a esperança de um mundo melhor”. Segundo o policial carioca, não há no programa um dogma nem uma verdade absoluta. “Nós questionamos as verdades impostas. Ao longo desses anos, foram milhares de meninos que mudaram de atitude, que passaram a acreditar em si”.

Para ele, o maior desafio para um policial é ter de conviver diariamente com a maldade humana sem ser acessado por ela, o que é quase impossível. “Por isso, ao longo do processo, muitos acabam adoecendo. Então trabalhar com a prevenção, receber abraços, avaliações e testemunhos de professores e de familiares das várias juventudes que nos relacionamos faz tão bem para a saúde dos policiais e para o reconhecimento de seu propósito”. Além disso, observa, a prevenção é também uma oportunidade para que a instituição possa se questionar e se reavaliar, refletindo e colocando em prática diferentes maneiras de se fazer segurança pública.

Polícia Civil RS