Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Início do conteúdo

Operação Digital Fantasma desarticula associação criminosa instalada em agência bancária de Palmeira das Missões

Publicação:

.
Operação Digital Fantasma.

Na manhã desta terça-feira (20/01), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, através da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/Derccc), sob coordenação do Delegado João Vitor Herédia, deflagrou a Operação Digital Fantasma, visando desarticular uma sofisticada associação criminosa instalada dentro de uma agência bancária de grande porte, no município de Palmeira das Missões.

Estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva, fundamentados na garantia da ordem pública e econômica, além de medidas de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, entre outras ordens judiciais. Durante a ação, ts pessoas foram presas, incluindo o gerente-geral da agência, sua esposa e o caixa do estabelecimento.

O grupo, composto pelo
gerente-geral da unidade, um operador de sistema e familiares, é responsável por fraudes que superam a cifra de R$ 2,4 milhões.

.
Operação Digital Fantasma.

MODUS OPERANDI: ENGENHARIA INTERNA E VIOLAÇÃO BIOMÉTRICA

O furto mediante fraude se diferencia pela complexidade e pelo abuso de confiança (“abuse of trust”), operada de dentro da instituição financeira:

1. Seleção de alvos vulneráveis: O grupo monitorava e selecionava contas inativas pertencentes a clientes hipervulneráveis (idosos entre 81 e 96 anos) e até mesmo pessoas falecidas.

2. Fraude biométrica (a "digital fantasma"): Para contornar os rigorosos mecanismos de segurança, o operador do sistema inseria a sua própria digital nos leitores biométricos. Fraudulentamente, registrava no sistema que os clientes idosos seriam "analfabetos", justificando a ausência de assinatura física e validando a operação com a biometria do próprio funcionário do banco.

3. Fabricação de renda (alavancagem): O gerente-geral, utilizando credenciais de alto nível, alterava os cadastros das vítimas, atribuindo-lhes rendas fictícias astronômicas (chegando a R$ 2,5 milhões) para elevar artificialmente o score de crédito.

4. Concessão e desvio: Com o crédito aprovado, eram realizados empréstimos pessoais vultosos sem garantias reais.

5. Logística de saque e ocultação: Para evitar o rastreio digital (TED/PIX), os valores eram sacados em espécie. Uma integrante do grupo (esposa do gerente), utilizando disfarces como moletom e capuz para dificultar a identificação pelo CFTV, realizava saques fracionados que totalizaram mais de R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo.

INVESTIGAÇÃO

A investigação teve início após a detecção de inconsistências graves nas operações de crédito da agência. Através de um trabalho de inteligência cibernética e análise de logs de sistema, a Polícia Civil conseguiu mapear a estrutura do grupo.

Foi identificado que o
gerente-geral atuava como mentor intelectual, chancelando as fraudes; o funcionário subordinado executava a fraude biométrica; e o núcleo familiar atuava na logística de saque e lavagem de capitais. A investigação comprovou, inclusive, o uso de contas de pessoas já falecidas para o trânsito dos valores ilícitos, demonstrando a audácia da empreitada criminosa.

.
Operação Digital Fantasma.
OPERAÇÃO POLICIAL

A ação leva o nome de "Digital Fantasma", em alusão ao modus operandi no qual a biometria dos próprios funcionários era utilizada para se passar pelos clientes idosos e acessar contas inativas.

A deflagração da operação em regime de urgência foi necessária dado o iminente retorno do líder do grupo às suas funções na agência, o que representaria risco imediato de destruição de provas digitais e coação de testemunhas subordinadas.

Com a deflagração da operação, a Polícia Civil ratifica o compromisso de desenvolver investigações criminais qualificadas, notadamente aquelas em que haja indícios de atuação de organizações ou associações criminosas organizadas, objetivando a máxima responsabilização criminal de todos os envolvidos, de modo a reprimir à altura a prática delitiva.

Mais informações: DPRCPE/DERCC
Contato: (51) 3288-9817
E-mail: dercc@pc.rs.gov.br

Polícia Civil RS