Polícia Civil deflagra Operação Modo Selva no combate à lavagem de dinheiro e a estelionatos virtuais
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Na manhã desta quarta-feira (01/10), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc), deflagou a Operação Modo Selva, no combate à lavagem de dinheiro e a estelionatos virtuais praticados por organização criminosa que induzia as vítimas a adquirirem produtos pagando apenas o frete. Os criminosos, atuantes em todo Brasil, se valiam das redes sociais de pessoas famosas para impulsionar as falsas campanhas, atingindo assim, um maior número de vítimas.
Nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco, foram cumpridos 09 mandados de busca e apreensão, 07 mandados de prisão preventiva, além do sequestro e indisponibilidade de 10 veículos, bloqueio de 21 ativos, investimentos ou aplicações, contas bancárias e carteiras de criptoativos, em valores que podem chegar a R$ 210 milhões. Quatro pessoas foram presas em Canoas (RS) e no Estado de São Paulo, em Piracicaba e Hortolândia.
O crime consistia em fraudes eletrônicas, as quais utilizadas uma "deepfake" (síntese de imagens e sons humanos, baseadas em inteligência artificial) de pessoas famosas para anunciar falsamente produtos cosméticos de marcas conhecidas. As pessoas interessadas eram direcionadas para sites fraudulentos, onde forneciam dados pessoais e realizavam pagamentos via PIX através de “gateways” de pagamentos controlados pela organização. Os valores eram processados através de empresas fantasmas e contas de "laranjas", incluindo idosas de 80 e 84 anos que tiveram suas identidades utilizadas sem conhecimento.
O esquema criminoso possuía uma estrutura hierárquica bem definida, com cada integrante desempenhando funções específicas tais como: o líder intelectual do grupo, o operador financeiro, o facilitador de pagamentos e a influenciadora do crime.
As investigações apontaram que os criminosos demonstravam em suas redes sociais como utilizavam o dinheiro das vítimas. Eram vitrines de ostentação, com veículos de luxo como Porsche Cayenne S, Range Rover Velar, BMW 430i e motocicletas BMW.
Também, foi constatado que a grande maioria das vítimas jamais denunciava os golpes. Em razão dos golpistas cobrarem valores relativamente baixos - geralmente entre R$ 20 e R$ 100 - muitas pessoas simplesmente arcavam com o prejuízo sem procurar as autoridades. "Isso criava uma situação perversa onde os criminosos tinham uma espécie de ‘imunidade estatística’. Eles sabiam que a maioria das pessoas não denunciaria, e então operavam em massa sem medo", explicou a Delegada Isadora Galian, titular da Dicesp/Dercc.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 20 milhões, ostentando em redes sociais carros de luxos, viagens de helicópteros e aviões particulares, fomentando seus seguidores também a fazer uso de jogos online. Também foi apurado a existência de uma plataforma falsa de apostas de jogos, aumentando a capitalização da organização criminosa.
Outro aspecto verificado foi a criação, por parte dos criminosos, de um perfil em rede social de mentoria, onde eles ensinavam técnicas de golpes digitais para centenas de seguidores, criando uma verdadeira rede de multiplicação do crime.
“Esta investigação mostra como a tecnologia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos, desenvolvendo técnicas de investigação tão sofisticadas quanto os crimes que combatemos", concluiu o Delegado Filipe Borges Bringhenti, Diretor da Divisão de Combate aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Dercc).
A ação contou com a participação das Polícias Civis dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco.


