Operação Padrinho é deflagrada no combate a crimes de homicídio e organização criminosa
Foram cumpridas mais de 230 ordens judiciais no centro do RS e em casas prisionais
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Na manhã desta quarta-feira (04), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria (DPHPP/Santa Maria), deflagrou a Operação Padrinho, no combate a crimes de homicídio e crime organizado. A ação teve o apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Instituto-Geral de Perícias.
Foram cumpridas mais de 230 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, sequestros de veículos e bloqueios de contas bancárias. As ações ocorreram no centro do estado, nos municípios de Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul. Também estão sendo cumpridas ordens judiciais nas casas prisionais PASC, PESM, PRSM, PEJULI e PESB. Até o momento, 72 pessoas foram presas.
Segundo o Delegado Adriano Rossi, titular da DPHPP/Santa Maria, a ofensiva tem como objetivo cumprir ordens judiciais para desarticular uma violenta organização criminosa enraizada na região e no sistema prisional.
A investigação iniciou-se em 13 de agosto de 2025, originada a partir das apurações de um homicídio qualificado perpetrado no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. Nesta data, a vítima foi executada com 15 disparos de arma de fogo calibre 9mm em frente a sua residência.
A partir da análise da rota de fuga dos atiradores, a apuração identificou o envolvimento da organização criminosa de Santa Maria, descortinando que a execução foi uma retaliação direta ordenada pela cúpula da organização. Conforme apurado, a motivação do crime originou-se de um conflito anterior dos criminosos que resultou na promessa de que a disputa seria resolvida "na rua", o que culminou no assassinato da vítima horas depois.
Tendo em vista tratar-se de grupo criminoso que mais cometeu assassinatos ao longo daquele ano, desarticular definitivamente sua cadeia de comando tornou-se o objetivo primordial da investigação. O avanço das diligências revelou a existência de uma organização criminosa de alta complexidade, alicerçada em uma rígida hierarquia, divisão de tarefas e vinculação orgânica com uma macrofacção de alcance estadual.
A ofensiva foi batizada como "Padrinho" em referência direta à forma submissa e reverencial com que o líder máximo da estrutura era tratado por seus subordinados. Essa liderança conduzia a organização com letalidade implacável, determinando o extermínio de concorrentes e supostos informantes.
A principal relevância da operação consiste no mapeamento e desmantelamento da simbiose operacional que o grupo mantinha entre o sistema penitenciário e as ruas, causando homicídios.
"Ficou comprovado que a cúpula da organização exercia influência sobre duas importantes galerias do sistema prisional local, utilizando o espaço carcerário para coordenar a logística do narcotráfico, gerenciar rotinas internas e expedir ordens de execuções extramuros, garantindo uma influência territorial estritamente coercitiva nos bairros em que atuava", explicou o Delegado Adriano Rossi.
Para sustentar sua hegemonia, a organização valia-se de um vasto e pesado arsenal de fuzis e pistolas, movimentando vultosos recursos provenientes da venda de drogas que eram posteriormente ocultados de forma ilícita.
"A operação atinge o cerne estrutural do grupo, visando não apenas a responsabilização penal pelos homicídios, mas também o isolamento de seus integrantes e o estrangulamento financeiro e logístico da organização criminosa, visando neutralizar por completo a sua capacidade de articulação criminal", destacou o Diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Delegado Mario Souza.
A ofensiva integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios do DHPP (P7), voltadas à repressão qualificada de crimes violentos letais e à responsabilização de integrantes de grupos criminosos envolvidos em episódios de extrema violência. Os presos serão encaminhados para o sistema prisional.













