Polícia Civil deflagra Operação Persona Ficta
Publicação:
A Polícia Civil gaúcha, por meio da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/Dercc), nesta quinta-feira (29) deflagrou a Operação Persona Ficta. O objetivo da ofensiva é cumprir mandados de prisão preventiva contra detentos investigados por extorsão com ameaça de divulgação de imagens íntimas e uso da identidade de Autoridade Policial.
A operação é resultado de investigação que revelou um esquema de extorsão digital, articulado a partir do sistema prisional, no qual os criminosos, por meio de perfis falsos em aplicativo de mensagens, atraíam as vítimas para conversas de cunho sexual e, em seguida, exigiam dinheiro sob ameaça de divulgação de imagens íntimas, chegando a se apresentar falsamente como Delegado de Polícia para intensificar a coação.
Os fatos investigados:
As investigações tiveram início após a vítima registrar ocorrência policial noticiando que, em 15 de abril de 2026, foi contatada via WhatsApp por um perfil que se apresentava como mulher, com o qual passou a trocar mensagens e imagens de cunho sexual. Na sequência, outros envolvidos passaram a ameaçá-la com a divulgação do material a familiares, amigos e ao seu local de trabalho.
A cobrança também foi dirigida a um amigo da vítima, para que auxiliasse no pagamento. Nessa abordagem, um dos autores se passou por um Delegado de Polícia. Após, as exigências prosseguiram por outra linha telefônica, com fixação de prazo para o pagamento, sob ameaça de exposição.
Desdobramentos da investigação:
A equipe de investigação da DPRCC/Dercc realizou extenso trabalho de análise das conversas apresentadas pela vítima e de dados telemáticos. O cruzamento das informações permitiu individualizar a participação de três investigados, dois deles recolhidos no sistema penitenciário gaúcho, na data dos fatos.
A apuração identificou, ainda, que a mesma linha telefônica, utilizada pela falsa autoridade policial, havia sido empregada em outras duas ocorrências, registradas em novembro de 2025 e em março de 2026, em municípios do interior gaúcho, com idêntico modus operandi: após contato inicial por perfil feminino, as vítimas eram procuradas por suposta Autoridade Policial, que alegava a existência de ocorrência policial ou de pedido de prisão contra elas e exigia dinheiro para não dar prosseguimento ao caso.
A operação e dimensão do crime:
A Justiça deferiu o pedido da Autoridade Policial, decretando a prisão preventiva dos três investigados para garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta das condutas, da reiteração criminosa e da constatação de que a custódia em que se encontravam não impediu o acesso aos meios de comunicação, empregados nos crimes.
A operação atinge um grupo voltado à prática de extorsão, com uso de conteúdo íntimo e de falsa identidade de um Delegado de Polícia do RS, condutas que configuram, em tese, os crimes de extorsão, falsa identidade associação criminosa — modalidade que explora o constrangimento e o medo da exposição como principal instrumento de coação das vítimas.
As investigações seguem para a identificação de outras vítimas e a responsabilização de todos os envolvidos.
Mais informações: DPRCC/Dercc
Contato: (51) 3288-9818